
Produtores culturais reivindicam a retomada das atividades das escolas municipais de música e teatro; um protesto foi realizado ontem em frente à Prefeitura
Dezenas de artistas se reuniram na tarde de ontem (26), em frente ao prédio da Prefeitura Municipal de Ipatinga, para protestar contra a inoperância do poder público local em relação às atividades culturais do município. Sem funcionar há mais de um ano, a Escola Municipal de Artes Cênicas Antônio Roberto Guarnieri e a Escola Municipal de Música Tenente Oswaldo Machado (TOM) estão com as portas fechadas para mais de mil crianças e jovens carentes.
“Estamos aqui para chamar a atenção da população de Ipatinga sobre um descaso gigantesco que a atual administração vem cometendo”, declarou um dos coordenadores da manifestação e membro do Conselho Municipal de Cultura (CMC), Elias Ferreira. Segundo o conselheiro, o problema se arrasta devido “à má vontade política dos órgãos competentes por gerenciar as atividades”.
“Este problema que estamos enfrentando é muito sério. Para se ter noção, essas atividades culturais não foram cortadas por falta de dinheiro, mas sim por desinteresse”, critica Elias. De acordo com o orçamento municipal de 2010, as duas escolas dispunham de mais de R$ 800 mil para oferecer aulas de teatro e instrumentos musicais. “Sem nenhuma justificativa, simplesmente eles não cumpriram com o que determinava o orçamento. Deixaram de aplicar o recurso e não explicaram até hoje para onde foi todo esse dinheiro”, emenda o membro do CMC. Para 2011, o Executivo enviou à Câmara um projeto de lei que repassava R$ 150 mil para a Escola de Artes Cênicas e R$ 509 mil para a Escola de Música. A matéria foi aprovada por unanimidade pelos vereadores e tem até o dia 8 de fevereiro para ser sancionada ou não pelo Executivo.
“Pode parecer que está cedo para a gente sair pelas ruas e fazer manifestações. Mas não é. Ficamos o ano passado inteiro sem nenhuma providência tomada. Os recursos foram aprovados na Câmara para este ano. Acredito que serão sancionados pelo prefeito Robson Gomes. Agora, o que importa é ver esse dinheiro sendo aplicado de verdade nos alunos. Não iremos assistir calados à morte da cultura dentro de Ipatinga”, finaliza Elias Ferreira.
Durante toda a manifestação na frente da prefeitura, os artistas cantarolaram trechos de ‘A Marcha Fúnebre’, de Chopin.




